Poesias

Chuva de bênçãos  (Poesias) escrito em segunda 17 novembro 2008 14:23

Chuva de bênçãos
 
Rasga o véu dos céus em tempestade,
mas Senhor, que chova bênçãos sobre teus filhos.
Que as águas que caírem sejam bentas,
santificadas para purificarem os espíritos.
Fenda os céus em chuva de fogo,
mas Senhor, que chova chuvas de estrelas cadentes,
trazendo em si a luz da verdade,
iluminando espíritos em trevas,
mostrando-lhes o caminho da Tua morada.
Rompa a natureza em vendavais,
mas Senhor, que eles tragam em seu rastro pétalas de flores,
perfumando os caminhos dos andarilhos perdidos,
para que eles percebam a Tua glória.
Feche os céus em imensa treva,
mas Senhor, que seja apenas para que possamos ver
o brilho das estrelas que lá puseste
só para sabermos que são os olhos de teus anjos,
velando e guiando os Teus filhos
 
Autoria : Sônia Ravanini Pina
15/08/2005
 
 
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Só solta no ar...  (Poesias) escrito em domingo 09 novembro 2008 22:15

Só solta no ar...
 
Hoje choro as lágrimas das dores contidas,
choro as angústias estranhas a mim,
você sequer sabe o tamanho da dor que em mim deixou,
e o peso do vazio ecoando e minha mente.
Me elevou aos céus em um dia de sonho,
jamais imaginei que me soltaria no ar tão só...
Dói essa saudade, dói sua ausência.
Hoje me sinto uma estranha a vagar,
totalmente confusa, perdida na estrada da busca eterna,
Onde anda você agora?
Eu preciso de você, preciso do calor de suas mãos,
para espantar o frio que se instalou em meu coração.
Eu choro essas lágrimas, só, para sempre,
eternamente, eternamente...realidade que dói.
Fecho meus olhos e tento sonhar que você precisa de mim.
Tome minha mão novamente,
faça meu coração subir as alturas mais uma vez.
por que eu preciso de você,
 e você apesar de ainda não o saber 
também precisa de mim...
 
 
14/08/2005
 
 
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Café e cigarro  (Poesias) escrito em quarta 05 novembro 2008 01:20

Café e cigarro

Sônia Ravanini Pina

 

 

 

 

Entre um café e um cigarro, trago a fumaça da solidão,

ouço o silêncio à minha volta que foge na baforada

espiralada de mais uma tragada da vida que me escapa.

Fumo e sumo na névoa do meu pensamento esfumaçado.

 

 

 

Aspiro o perfume do negro café e mato a sede da saudade,

essa negra personalidade que me devora e sutil me invade

feito a nicotina tóxica, que aos poucos me sufoca e me mata.

Sorvo esse amargo fel como fosse um puro mel que me cura.

 

 

 

Mas, nada absorve esse mal, sequer alivia toda essa secura.

Café, cigarro, silêncio e poeira, companheiros do meu vazio,

que meu olhar acompanha nesse escaldado e febril desvario,

nas dançantes fumaças sopradas pela minha bôca amargurada.

 

 

 

É a minha loucura exalada por essa minha luta desvairada,

nebulosas desencantadas, no espaço girando e evaporando,

alçando um vôo e carregando em seus braços a minha alma,

e a minha amarelada e destemperada aura, toda esfumaçada. 

 

 

 

 

   01/11/2008

 

 

 

 

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Os filhos do mal  (Poesias) escrito em terça 04 novembro 2008 00:40

 

Os filhos do mal
Sônia Ravanini Pina
 
 
 
Era de Aquário, dos otários, dos salafrários, dos naufragados.
Fim de todos os tempos, fim dos templos, fim dos santificados.
E era uma vez as Eloas, as Nayaras, mortas ou desfiguradas,
Era a era delas, era a nossa era, é o fim, éramos todos nós.
 
 
 
É a era do letal, planeta da morte, somos os filhos do mal.
Somos as Marias espancadas, as violentadas, dilaceradas,
Isabelas atiradas, desmembradas, sangradas e consagradas.
Somos as Marys, as Elizabeths, as maltrapilhas e maltratadas.
 
 
 
É a criança em lixo atirada, em rio afogada, e não afagada.
Somos as favelas dos esfomeados, dos esquecidos, invadidos,
 meninos torcedores, de sorrisos apagados, mortos, espancados.
 Alvos das balas perdidas, crianças caídas que jazem sem vida.
 
 
 
Vítimas da pedofilia, de morte juradas, de mães amordaçadas.
São os filhos do mal, os filhos da fome, filhos das podres águas.
Filhos da terra sem leis, sem reis, do lindo e estrelado céu anil,
os filhos esquecidos de um paraíso ilusório, chamado Brasil...
 
 
 
29/10/2008
 
Dedicado à todos nós, filhos do descaso...
   
 
 
 
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OLHE PARA MIM  (Poesias) escrito em quinta 30 outubro 2008 13:15

 

OLHE PARA MIM
Sônia Ravanini Pina
 
 
 
 
Olhe para mim, veja em meus olhos essa dor sem fim.
Diga-me o que devo fazer, qual caminho devo seguir,
perdi-me dos meus próprios passos, de novo eu caí,
e nesse chão frio não quero ficar, eu não sou assim.
 
 
Nessa intransponível cildada fiquei, estou mistificada.
Estigmatizada sem propósito algum, sem respostas,
destino solitário, descaso solidário, seria meu calvário?
Nada a dizer, nada a fazer, um horizonte sem estradas.
 
 
Subir ou não subir estas escadas?-Talvez, ou, que nada.
Assim como nada começou, será que um dia tudo terá fim?
É só mais uma das encruzilhadas, armadilhas premeditadas.
Guerra dos cem anos e as minhas mil vidas, assassinadas.
 
 
Mil faces, todas elas destroçadas, tantas faces de marfim.
Retratos mal falados, arabescos, negros riscos, negras águas.
Vida submersa em um mar de fotografias, falsificadas, amareladas,
velhas lembranças arruinadas de uma vida que deu em nada, nada...
 
 
28/10/2008
 
 
 
 
 
 
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