Eterno sono
Sônia Ravanini
Pina
Um eterno sono pesa em meu corpo agora,
quero ir embora,
quero o paraíso das eternas
águas que choram e rolam afora,
longe de um despertar doloroso, pesadelo,
não quero e espero
o sono eterno que alivie essas dores que
eu renego, não quero.
Dormir, sem mais esperar
nada além de mim e pôr um
fim.
Deitar-se sem mais levantar-se, em frias
e mansas águas afundar,
quem sabe em um límpido rio que
lave o que morreu em mim.
Pesado sono que não
debato mais, quero mesmo
é naufragar.
Eu quero assim, eu adormeço, eu
esqueço, eu desapareço.
Melhor assim, enfim retormo e retomo o
nada que há em mim,
em um sono profundo, tão distante
do mundo, eu quero assim,
estar distante de tudo, dar ao mundo
enfim a distância de mim.
Abençoado sono, adormecer
vagabundo, fuga sem preço
do pesado fardo pago por uma vida, ou, por
outras vidas,
tão vazias quanto a minha, fujo do
sujo, deito e adormeço
sobre as pedras de um rio, sem
retôrno e sem recomeço...
28/08/2007
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