Tudo e
nada
Sônia Ravanini
Pina
O céu, um
véu de estrelas mutantes, brilhos
delirantes,
ofuscando o meu
olhar atormentado,
apagado e perdido.
Só vejo as
estrelas caindo em fossos
escuros, indiferentes.
É minha vida
se desfazendo em estrelas mortas
e cadentes.
A lua, nua diante do
céu, iluminada e desarmada
lua,
refletindo em meu
semblante a poderosa luz divina,
entrando na
sua fase negra e enegrecendo-me, e
eu,
à mingua,
apagando-me sob essa luz que me redimia.
O sol, ardente,
irradiando a vida perante a morte,
que destino
reservava-me esse sol incandescente?
Abençoaria-me
o Rei com todo tipo de sorte, ou,
cegaria meus olhos
ante uma imagem remanescente?
O vento, lenvando em
seu sopro o lamento meu,
esperança,
lembrança, temperança que se
foram,
levadas pelo vento
ao relento sob o céu, a lua e o
sol,
deixando ao
léu um triste rosto nebuloso
que morreu.
10/09/2007
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